Teatro da Morte • Radyr Gonçalves



A morte é um lago – distante do afago das águas comuns
Noite que vaga à sombra de um nevoeiro
Fogo frágil de candeeiro – vela
Vale insólito que iremos passar...

Mar de águas turvas – sal silente – fruto sem gosto
Sentinela invisível que não perde seu posto
Lâmina inimiga que fere um a um...
Diante da morte o rei comum...

A morte é um deserto engolidor de futuros
Não teme as guerras, derruba mil muros
Faz do inferno, habitação...
Do cerne do escuro, o seu trono real

Não teme o bem – não se importa com o mal
A morte é uma estranha mulher surreal
Foice severa que encerra o corpo
Torvelinho cinza que devora a alma

A morte brinca com os dados da certeza
Ri-se da vaidade do homem prepotente
Diante da morte, qualquer um é semente
Caos, silêncio, pó – só, somente só..."

Comentários

Alexandra Jacob disse…
Radyr,
Parabéns pelo portal!
Amei!
Unknown disse…
Claire Feliz Regina, postou essa poesia e eu achei linda, interessante e triste ao mesmo tempo. Compartilhei.
ÍndiaOnhara disse…
Que maravilha, Radyr..
Encantada! 😍

👏👏👏👏👏👏