Teatro da Morte • Radyr Gonçalves

Lirismos Dominical - Radyr Gonçalves


Domingo – o sol a ciciar cantilenas de mar
O homem a estudar as páginas do tempo

Eu preso no cerne da cabala
Procuro matar o você que habita em mim

O homem precisa desbastar o ego
Eu preciso saber o que diz de fato os versos das minhas veias

Domingo – a praia a banhar-se de corpos esculturados
O pescador a decifrar os códigos das pedras
O desatarraxar os parafusos das profecias

O homem é um hábil construtor de infernos
Preciso sair desse pântano, apagar esse fogo
Atravessar o lago – e do outro lado
Balançar-me na rede das simplicidades

E sentir o perfume da placidez.

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Radyr Gonçalves
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Comentários

elicio disse…
Construções linguísticas plásticas e imagéticas. Uma composição que vislumbra o surreal no real de cada detalhe da vida. Parabéns!